Fazendo história, uma mulher comanda a bolsa de New York pela primeira vez.

por Louise Barsi
Analista de Investimentos

Ao final de maio foi divulgado com muito alarde que pela primeira vez, desde seus 226 anos, uma mulher comandaria a Bolsa de New York (NYSE). Ela é Stacey Cunningham, tem 43 anos dos quais 24 passou dentro da instituição onde iniciou como operadora estagiária. Em 2017, foi a vez da Nasdaq anunciar que outra figura feminina, Adena Friedman, seria a nova CEO da bolsa de grandes empresas de tecnologia.

A notícia foi celebrada como um simbolismo do crescimento da participação das mulheres no mercado de capitais, mas mais do que isso, em cargos de alto escalão, antes dominados pelo sexo masculino. A evolução é evidente, mas se nos lembrarmos bem, a última vez que uma notícia desse cunho ganhou tamanha relevância foi em 1967, quando Muriel Siebert se tornou a primeira mulher a trabalhar na NYSE.

Desde então, se passaram 50 anos! Se por um lado devemos comemorar, por outro, fica o alerta para o quanto ainda temos de evoluir em termos de igualdade nos investimentos. Estudo realizado pelo aplicativo Guia Bolso, desenvolvido para ajudar no controle financeiro pessoal, constatou-se que as mulheres investem em média 29% a menos que os homens.

A entidade identificou através da movimentação dos dados bancários das contas de 43.500 usuários, que as desigualdades aumentam conforme as faixas salariais investigadas evoluem. A diferença mais gritante é de 50% na faixa salarial entre R$ 20.000 a R$ 50.000 reais. A mesma conclusão pode ser tirada na amostragem por faixa de idade, nota-se que o investimento médio por mês é menor para os mais jovens.

Essa contatação é alarmante para ambos os sexos, mas com um plus para as mulheres. Além de ganharmos menos, vivemos mais; condições demográficas que nos coloca em urgência para investirmos pensando no futuro. Está ai um nicho muito mal explorado pelas corretoras, uma vez que o perfil das clientes femininas muitas vezes não as atrai.

Por diversas vezes comprovou-se empiricamente que mulheres são melhores investidoras do que os homens, justamente por apresentarem maior aversão ao risco. Apesar da evolução vagarosa, a proporção de mulheres pessoas físicas com conta ativa na B3 passou para 22,87% em 2017, contra 17,63% ao final de 2002. No Tesouro Direto, ativos considerados de menor risco, a proporção é maior: 30,43% em 2017 versus 13,51% em 2002.

Mais Lidas