Passive Investing X Active Investing: Qual é a diferença?

por Louise Barsi
Analista de Investimentos

No fim de janeiro uma consulta pública levantada pelo MSCI (Morgan Stanley Capital International) acendeu um alerta para os detentores e emissores de ações preferenciais: a proposta de atribuir menor peso para ações de empresas que diferenciem os direitos dos acionistas. Em outras palavras, ações classificadas entre ON e PN.

Em linhas gerais, a diferença básica entre elas consiste no direito de Tag Along para acionistas detentores de ações ordinárias, condição valorizada e incentivada pelas melhores práticas de governança corporativa. O Brasil é um dos pouquíssimos países que ainda possuem ações preferenciais, não por falta de iniciativa.

A criação do segmento Novo Mercado em 2000 foi o ponta pé inicial para uma virada nesse cenário. Em 2018, são 140 empresas classificadas neste segmento, o que representa cerca de 40% do mercado acionário. Apesar de não desprezável, a estatística demonstra que ainda temos um grande caminho a percorrer, mas ao que tudo indica, não tão longo.

O resultado da consulta sobre a possível (e provável) mudança na metodologia de ponderação no MSCI será divulgado ao final de junho, mas a proposta contém algumas considerações que tornam essa transição menos abrupta, como o prazo de carência de 3 anos para as empresas que compõe o índice enquadrarem suas estruturas societárias – para membros novos a condição seria imediata.

A prova dos 9 foi tirada no ano passado, quando Vale e Suzano migraram para o segmento com maiores parâmetros de governança. Em ambas houve sucesso na conversão, VALE3 atingiu o equivalente a 84,4% do total na conversão voluntária ao oferecer 0,9342 ordinárias por cada preferencial; enquanto em SUZB3 houve unanimidade da migração para o Novo Mercado na condição de 1 ação PN para 1 ação ON.

Esta última beneficiada não apenas pelos patamares superiores de governança, mas pela habilitação a uma possível listagem fora do país. Outra observação pertinente, nenhum IPO realizado em 2017 teve empresas listadas com ações preferenciais.

Mas em que essa mudança se aplica às estratégias de investimentos ativas e passivas? A resposta é simples e intuitiva: o mercado de capitais brasileiro é extremamente dependente do fluxo de investimentos estrangeiros, que por sua vez, baliza suas aplicações em índices de peso como o MSCI Brazil. Uma vez estabelecida essa conexão fica fácil compreender que grandes empresas, principalmente as que compõem o Ibovespa com maior peso, serão afetadas- destaca-se Itaú (ITUB4), Vivo (VIVT4) e Bradesco (BBDC4).

Como observou Geraldo Samor, se os padrões de governança não foram suficientes para em 18 anos convencerem as companhias de que seria vantajoso adotá-las, parece que vai ser a hegemonia crescente passive investing que forçar as companhias brasileiras a confrontar seu legado de PNs”. A estratégia consiste na preferência por aplicações em índice, e não mais no ativo individualmente. Em contrapartida, o active investing tem por objetivo superar a performance de determinado ativo, comumente um índice.

Seguidores e admiradores do megainvestidor Warren Buffett provavelmente estarão mais familiarizados com o termo. Uma curiosa aposta foi feita por ele em 2007, que desafiava os gestores de hedge funds em US$ 500 mil dólares aquele que conseguisse melhores retornos do que o S&P 500 em 10 anos. Buffet alegou confiantemente que ganharia a aposta, e em 2017 veio a confirmação: o único gestor a aceitar o desafio entregou resultados de 2,2% a.a, enquanto o S&P 500 mais de 7% a.a.

A eficácia da estratégia tem sido comprovada por evidências empíricas, como no estudo de 2016 do S&P Dow Jones Indices, que comprovou que 90% dos gestores com viés no active stock-picking falharam no objetivo de retornar melhores resultados do que seus índices de referência, tanto para targets em 1 ano, como para 5 e 10 anos. A explicação, segundo a pesquisa, está nas altas taxas de performance e de administração cobradas dos cotistas.

A tabela abaixo ilustra as principais diferenças entre as estratégias de investimento:

Passive Investing Active Investing
Definição Reflete os resultados do mercado ou um setor Objetivo de superar a performance do mercado
Técnicas de análise Replicação, o gestor opta por comprar ativos presentes em determinado índice que deseja refletir Stock-picking, identifica oportunidades de ativos subavaliados
Prós Maior diversificação

Redução de custos com taxas administrativas e de performance

Potencial de performance acima da média

Escolha do portfólio baseada em análises por um gestor qualificado

Contras Absorção de todo risco de mercado

Não vislumbra ganhos além do obtido pelo índice de referência

Maior volatilidade

Maiores custos relacionados a taxas de administração e performance

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